A extrema direita é imbatível no grito mas indefensável no documento. Você vai aprender a escrever o roteiro que sustenta isso. Sobre o que você quiser: a música que você ouve, a escala que você trabalha, a rua onde você mora, ou o cara que mentiu ontem. Em uma frase: é um curso de roteiro. Roteiro argumentativo, não de ficção tipo Harry Potter como tem doidinho de bairro fazendo por aí. Você escolhe um assunto, aprende a destrinchar ele com método, e sai com um texto seu que se sustenta. E serve pra três coisas: você descobrir o que você de fato pensa, porque é escrevendo que isso aparece. Ter o que dizer em qualquer lugar, do vídeo à sala de aula à mesa de bar. E enfrentar a extrema direita com prova em vez de grito.
Indústria de games e o presidente da Argentina. Dois assuntos que não têm nada a ver um com o outro. E a mesma cara de bunda nos dois.
É sempre a mesma foto, há onze meses. Nunca tive estúdio, nunca tive designer e nunca testei miniatura.
Em setembro de 2025 eu publiquei o primeiro vídeo do canal: um ensaio sobre Kurt Cobain e a crise dos opioides. Fez nove mil visualizações. Em abril de 2026, o canal fechou o mês com um milhão e meio.
Ensaio de vinte minutos, com documento na tela, em português, num país onde todo mundo jura que ninguém assiste conteúdo longo.
Se o que carregasse fosse a embalagem, isso aqui não tinha funcionado. Eu sou a prova viva de que não é.
O que carrega é o que você diz. E o que você diz vem de enxergar uma coisa que os outros não estão enxergando.
Você já viu isso mil vezes, né? Um fala, o outro fala mais alto, os dois saem convencidos de que ganharam. E ninguém que estava assistindo mudou de lugar.
E aí vem a explicação confortável: o cara é burro. Ou é de má-fé. Ou não adianta discutir com essa gente.
Só que nenhuma das três explica por que você perdeu.
Nesse terreno eles são muito bons mesmo. Grito, meme, corte de trinta segundos, indignação empacotada. Não é que eles treinaram mais que você: é que ali é o senso comum, então eles jogam em casa.
Só que tem um terreno onde eles não pisam.
Quando entra data, decreto, contrato e nota fiscal, acabou o debate. Documento não se rebate. Só dá pra mudar de assunto.
Você não precisa acreditar em mim. Assiste antes de comprar qualquer coisa.
E repara numa coisa enquanto assiste: em nenhum momento eu chamo alguém de burro. Eu ponho a fonte na tela e ela reprova sozinha.
"Análise de alto nível sem colocar esse viés de nós contra eles em momento algum, apresentou dados para elaborar pensamento."
comentário de um inscrito, num dos vídeos acima
Isso não é talento. É método. E método se ensina.
Eu não olho pras coisas do jeito que a maioria olha. Eu ponho um óculos antes, e ele tem nome: materialidade histórica.
Com esse óculos, nada é assim porque sim. Toda coisa que parece natural tem uma data em que ela não existia, alguém que pagou pra ela existir, e alguém que ganha com ela continuar existindo.
A escala 6x1 não é o jeito normal de trabalhar, é uma coisa com data. O gênero de música que você acha rebelde foi vendido por uma gravadora. A rua onde você mora foi decidida assim por alguém, e dá pra achar o nome.
E ela não é uma lista de coisas pra procurar, é uma camada que você põe por cima. Tempo, dinheiro, classe e cabeça, uma em cima da outra. Põe a primeira e aparece uma coisa. Põe a segunda e aparece outra, que a primeira escondia. No fim você não tem quatro pesquisas: tem uma coisa só, vista por quatro ângulos.
As três primeiras aulas montam a lente. As três últimas transformam o que você enxergou em texto, que é a metade que todo curso de roteiro pula.
E eu não montei ela em onze meses. São dez anos afinando isso, muito antes de existir canal: lendo, escrevendo coisa que ninguém leu, errando análise em público, descobrindo que fonte secundária mente e que número sem data não vale nada. O canal é o que apareceu depois que a lente já estava funcionando.
Você não vai receber a lente de dez anos. Essa não dá pra passar.
O que dá é o jeito de afinar. Você começa com um óculos de grau torto, e vai ajustando aula a aula até enxergar coisas que semana passada passavam na sua frente sem você notar. Depois disso, o resto é tempo, e o tempo você faz sozinho.
Você assiste o vídeo inteiro antes, do jeito que qualquer um assiste. E aí, na aula, eu abro ele: onde estava a tese, o que quase derrubou ela, de onde saiu cada número, o que ficou de fora e por quê.
E em cada aula eu monto um roteiro novo do zero, na sua frente, com as buscas que não dão em nada e os cortes doendo.
Desmontar ensina a reconhecer. Montar ensina a fazer. Curso de roteiro que só analisa coisa pronta te deixa exatamente onde te achou: sabendo dizer por que um vídeo é bom, e travado na folha em branco.
Antes da primeira aula você escolhe um objeto seu. Uma música, um jogo, uma propaganda, seu trabalho, sua rua. E escreve o que você enxerga nele. Sem ajuda, sem pesquisa, do jeito que der. Guarda.
Na última aula você analisa o mesmo objeto, com a lente afinada.
E aí você lê os dois lado a lado.
Dá pra fazer o curso todo num fim de semana. Eu não recomendo, e vou te dizer por quê: a lente afina com intervalo, porque é no meio da semana, olhando pro seu objeto de novo, que você enxerga a coisa que passou batido. Uma aula a cada poucos dias rende muito mais que seis numa noite. Mas o relógio é seu, e eu não vou fingir que consigo controlar isso.
E esse é o único jeito honesto de medir se um curso funcionou, porque ele não depende de eu te dizer que funcionou.
Nenhum curso do mundo consegue provar que mudou sua cabeça. Esse aqui te entrega dois textos escritos por você, um no começo e um no fim, e você julga.
Seis aulas, três de pesquisa e três de montagem. Com as tarefas, cada uma dá pouco mais de uma hora, e o curso inteiro dá cerca de nove horas. Gravadas, no seu ritmo, acesso vitalício. Mas com uma ordem que importa, porque cada lente só funciona depois da anterior.
Tarefas curtas depois de cada aula. Não é lição de casa, é treino, e é por isso que você termina esse e não terminou os outros. Uma por dia é o ritmo que funciona, mas quem manda no relógio é você.
O Mapa. Meu processo inteiro desenhado numa folha só, do primeiro clique até o roteiro pronto. E incluindo a metade que ninguém ensina: onde eu paro de pesquisar, o que eu corto mesmo sendo bom, e quando eu desisto de um ângulo porque o dado não dá.
O Diário. Uma folha por aula pra registrar o que você tentou e onde travou. Não é sobre o objeto, é sobre você. É o que faz a lente afinar em vez de você só acumular aula.
Você vai terminar com uma análise pronta e sua. Do objeto que você escolheu, em três tamanhos: quarenta segundos, três minutos e quinze minutos. Se quiser gravar, grava. Se nunca gravar nada, você fica com um pensamento inteiro seu sobre uma coisa que te importa.
Você vai parar de ser enganado por coisa bem feita. Propaganda, tendência, discurso do chefe, número solto na tela. Isso não acontece de vez em quando, acontece todo dia.
Você vai saber escrever o roteiro. Achar a fonte primária, datar, seguir o dinheiro, e montar tudo isso num texto que não dá pra rebater sem mudar de assunto.
Que eu vou te ensinar produção. Eu ensino o roteiro. Câmera, edição, thumbnail e algoritmo são outro departamento, e não tem uma linha sobre isso aqui. O que tem é a metade que decide se vale a pena assistir. Se você quiser gravar, vai ter o que dizer, e o resto se aprende de graça em qualquer canal.
Que você vai enxergar como eu enxergo. São dez anos de leitura acumulada. O que dá pra fazer em seis aulas é sair da lente zero pra uma que já funciona, e saber como continuar afinando sozinho.
Que é rápido ou confortável. Tem leitura, tem procurar fonte, e tem descobrir que você estava errado sobre coisa que você defendia em público. A parte boa é que isso vicia.
Todo curso de comunicação política que existe hoje ensina a convencer. E alguns ensinam a convencer com coisa falsa, né? Tem gente ganhando milhões com isso agora.
Esse aqui não dá. E não é por boa vontade minha, é pelo desenho: cada passo do método exige fonte primária, exige datar, exige mostrar quem pagou. Quem entrar aqui querendo munição pra inventar coisa vai achar o curso lento, chato e inútil, porque toda etapa pede prova.
O filtro não está na porta. Está dentro do método.
Então eu não faço triagem, não peço formulário e não pergunto em quem você vota. Só que eu guardo o direito de devolver seu dinheiro e te tirar de dentro se você usar isso pra fazer porcaria.
E a resposta que ele achou explica o Brasil de hoje melhor que qualquer manchete: quem manda não manda só pela força. Manda porque conseguiu que a maioria achasse que o arranjo é o normal. Ele deu um nome pra isso, hegemonia, e passou o resto da vida destrinchando como se constrói e como se disputa.
E a saída que ele enxergou não é o grande dia. É lenta, é miúda, e ele chamou de guerra de posição: uma cabeça de cada vez parando de achar que é natural.
É chato de aceitar, porque não tem foto, não tem prêmio e não dá pra postar.
Só que olha o que o outro lado fez nos últimos quinze anos, meus amigos, e me diz se não foi exatamente isso. Com paciência, de cabeça em cabeça, enquanto a gente aqui esperava o dia chegar.
Cada pessoa que aprende a enxergar o mecanismo é uma pessoa a menos pra ser enganada de novo. E ela estraga o truque pra quem está do lado dela, sem nem precisar discursar. Uma sozinha não muda nada. Alguns milhares mudam.
Dia 20 de agosto a primeira aula abre e o preço passa pra R$ 497. Quem entra agora paga R$ 397 e fica com esse valor pra sempre, porque o pagamento é único. Você entra na área do curso na hora, e as aulas vão sendo liberadas a partir do dia 20, uma de cada vez, com um e-mail a cada uma que sobe.
30 dias de garantia, contados da primeira aula e não da compra. Entra, faz as duas primeiras aulas, aplica no seu objeto. Se não servir, pede o dinheiro de volta. Sem formulário, sem justificativa e sem eu te perguntar nada.
Não precisa. Você recebe a lente funcionando, e as leituras entram depois, como explicação de por que ela funcionou. Teoria antes da prática é aula chata. Teoria depois da prática é quando cai a ficha.
Porque é outro contrato. A área de membros é acervo: você entra, assiste o que quiser e não me deve nada. Aqui tem tarefa todo dia útil, tem uma entrega no fim e tem uma ordem que importa. E o membro assinou pra ter Marx, Bourdieu, Adorno, Debord e Fisher, mais o livro agora. Isso continua e não muda.
Serve, e é onde ele mais rende. Todo curso de conteúdo que existe vende a embalagem: thumbnail, gancho, corte, algoritmo, né? Nenhum vende a única coisa que não dá pra terceirizar, que é ter o que dizer.
Olha de novo as duas miniaturas lá em cima. Mesma foto, mesma cara, nenhum teste, nenhum designer. O que carregou foi o que estava sendo dito. É essa metade que está aqui, e ela é a metade difícil.
Você termina o curso com uma análise pronta em três tamanhos. Isso é roteiro. Falta gravar.
Serve. A lente não é pra fazer vídeo, é pra enxergar. Quem grava leva junto o material pra gravar, mas o professor que quer levar coisa boa pra sala, o estudante que quer escrever melhor e a pessoa que só quer parar de ser enganada levam a mesma coisa.
É o método que eu uso, e ele é materialista. Perguntar quem pagou e quem lucra é uma pergunta de esquerda, e eu não vou fingir que não é. Agora, ele não te ensina o que concluir. Ele te ensina a procurar, e a fonte responde. Foi por isso que eu botei uma seção inteira acima explicando por que ele não serve pra mentir.
Tomara, cara. Ensaio longo, de esquerda, bem feito, em português, é um campo quase vazio. E mais gente boa fazendo isso aumenta o público de todo mundo. Eu prefiro ser a origem de vinte canais bons do que ser o único.